Trabalho de mulheres na engenharia é foco do último episódio da temporada

Presença feminina em conselhos de classe tende a aumentar exponencialmente nos próximos anos com iniciativa do Confea

Hildelene Lobato Bahia – primeira mulher a comandar um navio mercante, (foto: Poder Naval) 

Única cidade brasileira fundada por franceses, São Luís do Maranhão foi uma das capitais visitadas pelo 12º episódio da segunda temporada da série Agronomia Sustentável. Por lá, o programa conheceu mulheres que desempenham papel de liderança em diferentes engenharias.

Segundo dados do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-MA), dos 2.316 agrônomos ativos no município, 647 são do sexo feminino, totalizando 28%. Já no que se refere à atuação classista, a representatividade delas nos conselhos passou de 12% para 14% de 2019 para 2020. A tendência é que esses números subam nos próximos anos, impulsionados por um novo programa criado pela entidade.

Recentemente o Confea lançou o Programa Mulher e pediu a adesão de todos os Creas. O Maranhã já aderiu, o processo já está em andamento, foi aprovado em diretoria e, agora, vai ser instituído em plenário”, conta o presidente do Crea-MA, Luis Plécio.

De acordo com ele, a iniciativa visa, justamente, buscar a equidade de gênero dentro das alas que decidem o futuro das engenharias do país. Além disso, encaixa-se na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) que estabelece como meta “acabar com todas as formas de discriminação contra todas as mulheres e meninas em toda parte”.

Exemplo da causa fomentada pelo programa, a engenheira civil Luciana Soares Santos é a única mulher conselheira na Câmara de Engenharia Civil do Crea-MA. “Hoje trabalhamos para motivar e, justamente, trazer mais mulheres para a área de construção civil”, destaca.

Ela trabalha como gerente de obras, executando construções para órgãos públicos em São Luís e arredores. A profissional já comandou equipes com mais de 100 pessoas, a maioria homens. “Gosto da obra, de gerenciar, estar dentro, em contato com a equipe, montar cronograma, planilha orçamentária”, detalha.

Mulheres em João Pessoa

O segundo bloco do programa Agronomia Sustentável visitou João Pessoa, na Paraíba, capital digna dos versos de Luiz Gonzaga “Paraíba masculina, muié macho, sim sinhô”. Terra de belezas naturais e rica herança arquitetônica, conta com o trabalho de engenheiras civis que atuam nos setores público e privado.

Exemplo disso é a engenheira Juliana Mayer Feitosa, única mulher ocupando um cargo na diretoria do Sindicato da Indústria e da Construção Civil da Paraíba. O que parece caminhar ainda a passos lentos, por outro lado, representa uma grande evolução. “Se a gente for pensar um pouquinho, há muitos anos, eu vi numa reportagem, a mulher pra entrar na obra, precisava se vestir e se disfarçar de homem. Isso não tem muito tempo”, relembra.

A profissional trabalhou por dez anos na área de gerenciamento de obras em uma empresa até que, grávida, decidiu abrir o próprio negócio. Hoje ela tem duas empresas no setor da construção. Começou fazendo projetos de casas populares e, atualmente, trabalha principalmente em condomínios de alto padrão.

Diferencial da presença feminina

Do setor privado à área pública, o programa visitou o universo colorido da engenheira civil Simone Cristina Coelho Guimarães. A variedade cromática é uma marca registrada nas obras dela. “Falavam que obra pública tinha que ser feita apenas com cal e cimento e meu primeiro questionamento foi “quem disse?”. Por isso, ela leva cor a hospitais e escolas.

Em janeiro deste ano, Simone foi eleita conselheira do Crea-PB, entrando para o rol de profissionais que representam e contribuem com as atividades da classe. Além disso, é a primeira mulher a exercer o cargo de diretora técnica da Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan).

Sobre o papel das mulheres em profissões que eram tradicionalmente exercidas por homens, a diretora nacional da Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea-PB e engenheira agrônoma de profissão, Giucelia Figueiredo, ratifica: “Trata-se de uma conquista, nunca uma concessão. Faz parte de todo um processo de empoderamento, de protagonismo, lutando sempre na busca dos espaços de poder e decisão”.

O projeto Agronomia Sustentável é uma parceria do Canal Rural com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), os Conselhos Regionais (Creas) e Organização das Cooperativas Brasileiras. O programa completo vai ao ar aos sábados, às 9h, com reprise aos domingos, às 7h30.

Fonte: Canal Rural – Por Victo Faverin – São Paulo.

Por (LCN) @luiscelsonews.

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