Belém do Pará – 406 Anos

A História de Belém.

Etimologia

topônimo Belém tem origem em hebraicoבית לחםromaniz.: Beit Lehem, lit. “Casa do Pão”.

Inicialmente o município foi denominado em 1616 de “Santa Maria de Belém do Pará” ou “Nossa Senhora de Belém do Grão Pará”, a mando de Filipe II de Espanha, em referência ao dia de natal; quando o capitão Francisco Caldeira Castelo Branco partiu em 1615 da cidade de São Luís rumo a Conquista do Pará.

Primórdios e colonização europeia

A região onde se encontra a cidade de Belém do Pará (assim chamada desde a época do reinado de Filipe II em Portugal) foi, em meados do século XVIII, um pequeno lugarejo conhecido por Mairi, moradia dos índios Tupinambás e Pacajás, comandados pelo cacique Guaimiaba (que posteriormente virariam escravos durante a colonização).

Em 1616, ocorreu a implantação do núcleo colonial da atual Belém em Mairi, com o capitão Castelo Branco (antigo Capitão-mor do Rio Grande do Norte), a mando do rei da União Ibérica Dom Manuel, na época da conquista da foz do rio Amazonas (marcando o início da ocupação militar da União Ibérica ou Dinastia Filipina na região) para defesa luso-espanholas contra a entrada de estrangeiros na Amazônia – que disputavam o domínio do território das drogas do sertão e, colonização do Império das Amazonas, ou Conquista do Pará (homologado por Alexandre de Moura). Onde o Castelo Branco, em 12 de janeiro de 1616, fundou no igarapé do Piry um fortim de madeira chamado Forte do Presépio (atual Forte do Castelo),[2][6][7] contendo a capela Nossa Senhora da Graça consagrada a padroeira Nossa Senhora de Belém[1], dando origem ao povoado denominado Feliz Lusitânia, onde surgiu a primeira rua da cidade, denominada de então Rua Norte (atual rua Siqueira Mendes) que liga a Feira do Açaí ao Largo da Sé, onde se encontram prédios coloniais históricos, com azulejos portugueses, tombados 

Em seguida, iniciou-se um período de batalhas contra a invasão de estrangeiros (holandeses, ingleses e franceses) no vale amazônico e também contra as tribos indígenas no processo de colonização e escravização (Tupinambás e Pacajás). Com a vitória ainda em 1616, o povoado foi elevado à categoria de município e também capitania, com a denominação de Santa Maria de Belém do Pará ou Nossa Senhora de Belém do Grão Pará, a mando de Felipe da Espanha. Posteriormente foi denominada por: Santa Maria do Grão Pará; Santa Maria de Belém do Grão Pará; até à atual Belém.

Em 1621, para assegurar a posse do território o Rei Filipe II de Portugal transformou a Conquista do Pará em Capitania do Grão-Pará e, também criou o Estado do Maranhão com sede em São Luiz (formado pelas: Capitania do Grão-Pará, Capitania do Maranhão e, Capitania do Ceará) – renomeado em 1654 para Estado do Maranhão e Grão-Pará (devido aumento na importância econômica de Belém), e em 1751 para Estado do Grão-Pará e Maranhão, o qual foi dividido em 1772.

Em 1625, na área do igarapé do Piri (no atual Mercado Ver-o-Peso), os portugueses instalaram o posto fiscal comercial “Casa de Haver o Peso” ou “Lugar de Ver o Peso”, para controle do peso e, arrecadação de tributos dos gêneros trazidos para a sede da Capitania do Grão-Pará (Estado do Maranhão e Grão Pará).  Devido sua posição estratégica na desembocadura do Amazonas, pelo rio Guamá, tornou-se o maior entreposto comercial da região. Ponto de entrada e saída de embarcações, pelos rios Amazonas e Guamá, com produtos extraídos da região amazônica (drogas do sertão) com destino aos mercados locais e internacionais, de carne com preço baixo dos rebanhos na Ilha do Marajó, e ponto de chegada dos produtos europeus.

Em 1627, a importância do entreposto se estabeleceu com a concessão da primeira légua patrimonial pelo Governador e Capitão General do Maranhão e Grão Pará Francisco Coelho de Carvalho, por meio da carta de sesmaria, à Câmara de Belém, demarcada oficialmente em 1703. Mas, faltavam recursos para o desenvolvimento dos serviços públicos administrados pela câmara. Afim de solucionar, em julho de 1687 os membros da Câmara endereçaram ao Filipe II, Rei de Portugal, uma representação pedindo a concessão do tributo do haver-o-peso. Então, em março de 1688 houve a liberação real concedendo a renda da Casa a Câmara de Belém. A Primeira Légua Patrimonial é uma porção de terra com tamanho de um arco de légua (4 110 hectares ou 41 100 m²) a contar do marco de fundação da cidade – das margens do Rio Pará em direção ao sul e do rio Guamá em direção ao norte – arco formado nas atuais Avenidas Doutor Freitas e Perimetral e a Avenida Arthur Bernadres, com marco demarcatório desse limite na confluência da Avenidas Doutor Freitas com a Almirante Barroso (originando o bairro do Marco da Légua). Em 1655, devido aumento na importância econômica de Belém, a cidade começou a crescer em direção ao interior, avançando sobre a mata, em sentido contrário ao litoral.

Em 1751, Belém era considerada o maior entreposto comercial da região de produtos destinos aos mercados locais e internacionais e ponto de chegada dos produtos europeus. Assim, em 1772 o nome do Estado mudou para Estado do Grão Pará e Maranhão, com sede transferida para Belém, tornando a primeira capital da Amazônia.

Século XIX

Em 1803, no governo de Dom Marcos de Noronha e Brito, Conde dos Arcos, o igarapé do Piri (antigo pântano Juçara) foi aterrado para atender aos avanços urbanísticos da Belém. A foz foi transformada na doca do Ver-o-Peso, mantendo-se ali as atividades da Casa de Haver o Peso. Em 1823, devido a distancia dos núcleos decisórios das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil e fortemente ligada a Portugal, Belém reconheceu a Independência do Brasil apenas em 15 de agosto de 1823, quase um ano após a sua proclamação.

Cabanagem

A Cabanagem (também conhecida como Guerra dos Cabanos) foi uma revolta popular e social ocorrida no período regencial brasileiro, influenciado pela Revolução Francesa, na antiga Província do Grão-Pará (abrangia os atuais estado do Pará, AmazonasAmapáRoraima e Rondônia) entre os anos de 1835 a 1840, comandada por Félix Clemente Malcher, Antônio Vinagre, Francisco Pedro VinagreEduardo Angelim e Vicente Ferreira de Paula.] Devido a extrema pobrezafome e doenças, que marcou o início desse período; o processo de independência do Brasil (1822) que não ocorreu de imediato no Pará, e; a à irrelevância política à qual a província foi relegada pelo príncipe regente Pedro I, após a Independência, mantendo a forte influência portuguesa. Os índios e mestiços, na maioria e integrantes da classe média (cabanos) uniram-se contra o governo regencial nesta revolta, com objetivo de aumentar a importância do Pará no governo central brasileiro e enfrentar a questão da pobreza do povo da região, cuja maior parte morava em cabanas de barro (de onde originou o nome da revolta).

Na capital da província do Grão-Pará, cidade de Belém, por onde eram exportados os produtos explorados, a elite local era extremamente ligada aos portugueses, e pelo fato da província não ter sofrido mudanças significantes após a declaração de independência, resultou em uma grande dependência de Portugal. Em 1835, os cabanos, comandados por Antônio Vinagre, invadiram o palácio do governo de Belém e executaram o então presidente da província, Bernardo Lobo de Sousa, junto com as demais autoridades.

Com o extermínio do governo local, os cabanos iniciaram o seu primeiro governo, colocando o poder ao militar Clemente Malcher. O novo governo traiu o movimento demonstrando sua fidelidade ao governo português (Imperador), inclusive reprimindo a revolta que o levou ao poder, ameaçando deportar Eduardo Angelim e Vicente Ferreira (lavrador). Revoltados, os cabanos mataram Malcher e colocaram no poderio, Francisco Vinagre.[25] Repetindo o que aconteceu no primeiro governo cabano, o novo líder também traiu o movimento. Disposto a negociar com o governo central, Vinagre demonstrou um interesse em ceder seu poder a alguém indicado pelos portugueses. Descontentes, Vinagre foi deposto dando lugar ao terceiro presidente cabano, Eduardo Angelim (jornalista), mas acabou enfraquecido com a diminuição do apoio das elites locais.

Em 1836, o governo central do Pará, comandado por brigadeiro Francisco José de Sousa Soares de Andréa (subordinado ao Império), fez um bombardeio nos esconderijos cabanos e a prisão de Eduardo Angelim. Então os cabanos se esconderam nas matas de Belém, para tentar novamente tomar o poder através de táticas de guerrilha. Após cinco anos de combate, o governo regencial conseguiu reprimir a revolta na capital, devido a fraqueza política do movimento e a ausência de um líder experiente. No início da guerra, a província do Grão-Pará era habitada por cerca de 100 mil moradores e estima-se a população foi reduzida para 60 mil moradores, havendo aproximadamente 40 mil mortos.[A revolta dos cabanos terminou sem que conseguissem atingir seus objetivos. Então, grupos negros foram para o interior formar comunidades de quilombolas e, grupos indígenas iniciaram a atividade de agricultura de subsistência ou integraram a atividade de extração da borracha.

Fonte: Internet

Por (LCN) @luiscelsoborges

luiscelsoborges@hotmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios