17 de julho – 107º Aniversário da Força de Submarinos

COMANDO DA FORÇA DE SUBMARINOS

A Força de Submarinos comemora seu centésimo sétimo aniversário no dia 17
de julho. Às vésperas da eclosão da Primeira Guerra Mundial, exatamente uma
semana antes, era criada, na Marinha do Brasil, a Flotilha de Submersíveis.
A arma já havia entrado no inventário das Marinhas das potências mundiais. A
Tríplice Entente contava com 184 submersíveis em serviço e mais 40 em
construção, quase o triplo das unidades da Tríplice Aliança. Ao final da Guerra, a
Revolução de Assuntos Militares provocada pelo submersível foi tão disruptiva,
trazendo tanto desbalanceamento em combate, que a arma foi acusada de
ultrajante e desonrosa.
A Marinha do Brasil trabalhava a operação abaixo d’água desde 1891, pelo então
Tenente Felinto Perry. A ele juntavam-se Luís Jacinto Gomes, Luís de Mello
Marques e Emílio Júlio Hess, projetando e construindo protótipos. Entretanto, os
primeiros submersíveis foram comprados à Itália, chegando entre 1913 e 1914,
quando é criada a Flotilha, subordinada ao Comando da Defesa Móvel e sediada
na Ilha de Mocanguê Grande.
Os “temíveis navios negros” tiveram desenvolvimento notável, firmando-se como
pedra angular no combate naval. A reação nuclear proporcionou excesso de
energia anaeróbia, garantindo plena ocultação e adicionando novo espectro de
capacidades e, portanto, potencializando sua característica ofensiva e sua
letalidade. O perfil do submarinista é assim construído, buscando sempre a
iniciativa das ações, aventurando-se como ponta de lança do Poder Naval,
operando onde só o submarino consegue.
Durante a história da Força de Submarinos a atividade se desenvolveu, criando
robusta doutrina, calcada em sólidos procedimentos de segurança, e coerente
com o contexto estratégico do Brasil. Homens e mulheres são divididos entre os
submarinos, a escafandria, o mergulho de combate, a medicina hiperbárica e a
psicologia dedicada a essas atividades; mas somente unidos traduzem poder
único. São corajosos, competentes, comprometidos e disponíveis. Foram, todos,
forjados no aço de Mocanguê Grande. São todos submarinistas, os responsáveis
pelas façanhas fantásticas abaixo d’água.
Com Amazônia Azul enorme e de futuro promissor, e um Entorno Estratégico
superlativo, o Brasil desencadeou Programa de Estado de longo prazo, para em

complemento ao Programa Nuclear da Marinha, dotar o Poder Naval de
submarino convencional de propulsão nuclear.
O Programa de Desenvolvimento de Submarinos – PROSUB – produz entregas
anuais, obedecendo seu cronograma. A formatura dos novos submarinos para a
atracação na Base de Submarinos da Ilha da Madeira está no visual. Ativada em
2020, recebeu submarinos no primeiro semestre de vida e, no primeiro
aniversário, vem abrigar o Comando da Força de Submarinos. O Estado-Maior se
transfere para o Complexo Naval de Itaguaí, lhe conferindo a devida importância,
e utilizando-se do êxito do PROSUB.
A Força de Submarinos não abandona Mocanguê Grande; começa a operar
desdobrada a partir de duas posições. Em Itaguaí estarão sediados os
submarinos; e o CIAMA que, pioneiro neste Complexo Naval, dará
prosseguimento à transferência em futuro próximo, com o andamento do
cronograma de obras civis. Em Mocanguê, permanecerão a escafandria e o
mergulho de combate – formação e operação –, sob o mesmo Comando de Força.
A despedida de Mocanguê Grande contou com o suporte do submarinista mais
antigo, Almirante de Esquadra Alfredo Karam que, no momento que representa
todos os submarinistas, é guardião de nosso ethos. A Força de Submarinos veio
por mar e por terra, atracando em sua nova Base. No mar, veio protegida pela
Alta Administração Naval; em terra foi recebida pelos Chefes Navais, de ontem,
de hoje e de sempre, com quem é honra combater ombro a ombro.
É muito bem recebida pelo Setor de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da
Marinha, com percebido cuidado e zelo. Aqui encontra instalações que, de
pronto, oferecem modernidade, operacionalidade e conforto compatível com o
da adorada casa. Sob notável esforço de apoio da Marinha, nosso maior
patrimônio chega bem assistido.
Muito há, ainda, por fazer. Os submarinos classe “Riachuelo” recuperam
capacidades e agregam outras inéditas para a Força de Submarinos, que segue,
como de hábito, em processo evolutivo. Os desafios detectados pelo sonar
representam, para os aguerridos submarinistas, um futuro animador! Após 107
anos, os Marinheiros Até Debaixo D’Água firmam, uma vez mais, posição como
pioneiros, prontos para escrever mais um capítulo na história da gloriosa Flotilha
de Submarinos.

USQUE AD SUB ACQUAM NAUTA SUM!
GLÓRIA À FLOTILHA!
VIVA À MARINHA!

THADEU MARCOS OROSCO COELHO LOBO
Contra-Almirante
Comandante

(LCN) @luiscelsonews

luiscelsoborges@hotmail.com

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