41 anos do ingresso da Mulher na Marinha

COMANDO DO 4º DISTRITO NAVAL HOSPITAL NAVAL DE BELÉM

CMG (Md) Mônica M. Luna
Diretora do Hospital Naval de Belém
Medicina Aeroespacial/Cardiologia

No passado, as mulheres eram submissas e isoladas da vida profissional, social e
política e se dedicavam apenas à vida familiar.
No decorrer do tempo, com sua perseverança e empenho, as mulheres foram
demonstrando suas habilidades e profissionalismo, conquistando assim os primeiros
passos para o reconhecimento da sociedade.
Os valores necessários para integrar as Formas Armadas eram a capacidade de decisão
e o autocontrole em situações de perigo para si e para os outros, considerados
naquela época, fundamentalmente masculinos. Porém, a visibilidade das qualidades
femininas mudaria esse rumo.
Na Idade Média, uma das guerreiras que mais se destacou foi Joana D’Arc, da França,
que liderou um exército de homens, lutando por sua Pátria. E muitas outras foram
exemplos de liderança.
Na Marinha, o patrono das mulheres foi o Almirante de Esquadra Maximiano Eduardo
da Silva Fonseca, Ministro da Marinha no período de 1979 a 1984. Almirante
Maximiano serviu nos Estados Unidos da América e relatou a oportunidade de
conviver e admirar o trabalho das mulheres militares. Criou então, o Corpo Auxiliar
Feminino da Reserva da Marinha (CAFRM), aprovado em 07 de julho de 1980. 512
mulheres foram pioneiras na entrada da vida militar e destas, 201 tornaram-se oficiais
e 311 praças. Aprenderam com os mais antigos as habilidades necessárias para as
atividades militares e demonstraram superação em todos os desafios. A primeira
turma se formou em 11 de agosto de 1981.
O Ministro Maximiano determinou que um grupamento feminino desfilasse em Brasília
para as maiores autoridades do país, durante as comemorações da independência em
setembro de 1981.
O Vice Almirante Médico João Batista Teles de Aragão contribuiu com o acesso das
mulheres à Marinha, enquanto Diretor de Saúde em 1980, pois realizou estudo para
verificar o quantitativo necessário de médicas e outras profissionais de saúde e de
administração que integrariam a tripulação do Hospital Naval Marcílio Dias.
Em 1997, o CAFRM foi extinto e conforme suas habilitações, as mulheres passaram a
integrar os respectivos Corpos e Quadros existentes para o sexo masculino, permitindo
o ingresso como Oficiais nos Corpos de Engenheiros e de Intendentes da Marinha, e
nos Quadros de Médicos, de Cirurgiões Dentistas, de Apoio à Saúde e Técnico, em
igualdade de condições no acesso às promoções e cursos.

A Marinha estimula a capacitação em áreas assistenciais, administrativas e operativas
e hoje muitas mulheres militares realizam atividades de risco, antes consideradas
masculinas.
Como parte do contínuo aprimoramento de pessoal, em 2014, foi admitida a primeira
turma de Aspirantes Femininas da Escola Naval, no Corpo de Intendentes. Em 2017,
mais uma mudança permitiu o ingresso das mulheres para atuarem no Corpo da
Armada e Corpo de Fuzileiros Navais, na Escola Naval.
A Partir de 2023, as mulheres ingressarão nas Escolas de Aprendizes-Marinheiros,
como integrantes no Corpo de Praças da Armada, permitindo o embarque de Praças
nas fileiras operativas.
Ao longo dos anos, a participação das mulheres foi ampliada para diversas áreas de
atuação, incluindo a direção e vice direção de importantes Organizações Militares.
A Marinha foi pioneira ao promover duas Oficias Generais, uma médica em 2012 e
uma engenheira em 2018, e também foi pioneira ao ter uma mulher pilotando uma
aeronave militar.
Certamente, as novas gerações já crescem sabendo que são capazes de realizar
qualquer tarefa e são estimuladas a buscar novas conquistas.
Tenho orgulho por estar na Marinha e por ter participado, ao longo de minha carreira,
dos setores assistenciais, como cardiologista, periciais, integrando as juntas de saúde,
operativos em mergulho e aviação e atualmente como Diretora do Hospital Naval de
Belém.
Precisamos demonstrar capacidade, qualidade, respeito, seguindo sempre a hierarquia
e disciplina. Devemos também exigir respeito e saber identificar e interromper
atitudes pouco profissionais.
Médicas, enfermeiras, técnicas, arquitetas, engenheiras, advogadas, nutricionistas,
assistentes sociais, psicólogas, dentistas, carpinteiras, atletas, paraquedistas,
submarinistas, aviadoras e todas as especialidades.
Somos fortes e competentes! Somos guerreiras!
Viva as Mulheres Militares!
Viva a Marinha!

CMG (Md) Mônica M. Luna
Diretora do Hospital Naval de Belém
Medicina Aeroespacial/Cardiologia

(LCN) @luiscelsoborges

luiscelsoborges@hotmail.com

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